FILHO DE BOLSONARO DEFENDE UM NOVO AI-5 PARA CONTER A “ESQUERDA”

Edital

FILHO DE BOLSONARO DEFENDE UM NOVO AI-5 PARA CONTER A “ESQUERDA”

 

Ao defender “medidas drásticas” comoum possível Ato Institucional - AI-5 – para “conter a esquerda”, o deputadofederal, Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidente, provocou uma verdadeira tempestade na política do País ao aventar essa possibilidade, ementrevista ao Canal da jornalista Leda Nagle no YouTube. Pouco tempo atrás, odeputado provocou outra polêmica ao dizer que: “para fechar o STF era precisoapenas um cabo e um soldado”.


O número 3 do clã, corre agora orisco de ser cassado. Partidos de esquerda vão protocolar uma notícia-crime noSupremo Tribunal Federal - STF - e no Conselho de Ética da Câmara dosDeputados, solicitando que o “garoto”, de 35 anos, seja punido por incitar,publicamente, o ato criminoso, previsto no Código Penal Brasileiro.


Os parlamentares de oposição vão sebasear no argumento de “quebra de decoro” (artigo 55, da Constituição Federal)por entenderem que houve abuso do direito parlamentar. A representação seráfeita já na próxima semana e, mesmo que tenha imunidade, ele corre o risco deser cassado no Congresso, caso 257 deputados - maioria simples - entendam quehouve esse abuso.


O AI-5, de 13 de dezembro 1968, foiconsiderado o período mais cruel da Ditadura Militar no Brasil, dando plenospoderes (de punição e de exceção), aos governantes da época, contra pessoascivis, chamados de “inimigos”.  O Atoresultou ainda no fechamento do Congresso Nacional, das AssembleiasLegislativas (estaduais) e suspendeu as garantias constitucionais, além decassar, sumariamente, os direitos políticos de parlamentares de oposição aogoverno ditador Costa e Silva. O período ficou marcado ainda pela censura,tortura e assassinatos.


A fala do deputado causou uma péssimarepercussão mundial e ele foi repreendido pelo chefe-pai. O filho do presidentepediu desculpas e afirmou que “talvez tenha sido infeliz em falar em AI-5,porque não existe qualquer possibilidade de retorno do AI-5” e, mais uma vez,culpou a imprensa por ter “deturpado” a fala dele.


O SinteemaR, como entidaderepresentativa da classe trabalhadora, repudia, veementemente, a atitude do taldeputado, pois defendemos que a democracia, a liberdade de pensamento, deexpressão e de manifestações, são direitos conquistados e que não podem,sequer, ser colocados em xeque por uma declaração leviana, repugnante etotalmente inconsequente de um representante eleito pelo povo.